Mês: junho 2016

O melhor sistema para iniciantes

Saudações, aventureiros.

Não é incomum, ao ler ou conversar com amigos, acabarmos debatendo sobre qual o melhor sistema para introduzir novos jogadores ao RPG. Nunca conseguimos chegar a um consenso.

Ouço e leio, frequentemente, muitas afirmações de que, por exemplo, sistemas como D&D, GURPS e BRP (o sistema do Call of Cthulhu) não são bons sistemas para introduzir novos jogadores e então me pergunto como uma geração inteira conseguiu a miraculosa façanha de começar a jogar com sistemas como AD&D (eu me incluo nesse grupo), com suas regras robustas e que rendeu uma excelente leva de mestres autodidatas (sem falar em todos os outros sistemas).

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Alguns afirmam, por exemplo, que as experiências de alguns potenciais jogadores foi tão traumática, que eles abandonaram o RPG mesmo antes de poderem ser chamados de jogadores e a culpa, muitas vezes é atribuída aos complexos sistemas que, vejam só, tem regras para cavar buracos, ou que para ser jogado, necessitava até de calculadora científica.

É claro, preciso levar tudo isso em consideração, mas extrapolo e traço um paralelo com observações que tenho feito em algumas mesas de RPG nos últimos anos, chegando a uma inevitável conclusão:

Não existe um sistema ideal para introduzir novos jogadores ao RPG.

E isso, é claro, vai soar para uns como a constatação do óbvio (mais um chover no molhado), assim como soará para outros como uma grande heresia.

Alguns sistemas possuem abordagens mais práticas e diretas, o que facilita o primeiro contato do jogador com o RPG, mas é a abordagem de quem faz a introdução deste potencial jogador que faz toda a diferença e nesse ponto, considero a seguinte afirmação:

Narrar para iniciantes requer familiaridade com o sistema, didática e paciência.

Eu não me arriscaria a mestrar uma aventura de RPG para iniciantes (e nem mesmo veteranos), usando o FATE. Não que ele seja complexo, muito pelo contrário, mas eu não tenho familiaridade alguma com o sistema. Nunca li suas regras e não me interesso por elas (não como mestre), logo, se me dispusesse a mestrar uma mesa para iniciantes, poderia estar comprometendo seriamente a formação de novos jogadores.

Além do conhecimento do sistema, é preciso também ser didático. Muitos mestres, com grande familiaridade com determinados sistemas, simplesmente não conseguem ser didáticos, escondendo as regras na narrativa e deixando o jogo fluido e mais prazeroso para os jogadores iniciantes, afinal, alguns sistemas são bem maçantes quando o negócio é fazer ficha – ainda mais para alguém que está começando agora.

Além de tudo, é preciso paciência… muita paciência e boa vontade.

Aquele mestre que consegue unir os três aspectos, consegue facilmente cooptar novos jogadores, independente do sistema que esteja utilizando. Depois de se tornaram jogadores, estes vão escolher os sistemas que se encaixam melhor em seus gostos e se tornarão mestres!

Até mais, aventureiros!

Geração “overpower”

Saudações, aventureiros.

Nesta entrada do meu diário, compartilharei com vocês uma experiência pela qual tenho passado e que parece contaminar, de certa forma, o mundo atual.

Sinceramente não sei se estes fatos se devem a influência dos deuses caminhando por Toril, ou se faz parte da evolução de nosso mundo, mas a verdade é que tem estado mais difícil, a cada dia, encontrar alguém que queira participar de uma boa história, sendo muito mais fácil encontrar pessoas que desejem apenas medir os tamanhos de seus próprios músculos.

Embora, possa dizer que não seja muito assíduo atualmente no mundo do RPG, como gostaria de ser, e de ter deixado de acompanhar a maior parte das notícias do hobbie, percebo nos discursos pescados em uma ou outra postagem, que de alguma forma, os jogadores evoluíram e para mim, infelizmente, em uma direção que não me agrada.

Algumas edições de alguns sistemas de RPG priorizaram demais os números, os bônus, as builds que favoreciam os personagens, tornando-os não mais representantes dos deuses, mas os próprios deuses em mundanas mesas de RPG. Os números passaram a falar muito mais alto, a chamar mais atenção, a significar mais e a serem priorizados em detrimento de qualquer outro aspecto de jogo.

Outros cenários e sistemas, que priorizam uma outra abordagem, não são tão populares ou ganham tanta popularidade, pois o que o jogador quer mesmo é maximizar as estatísticas do personagem, independentemente se isso criar algo inverossímil e nocivo para a aventura/campanha/grupo.

Em qualquer fórum de discussão, contamos nos dedos de uma mão de um aleijado, o número de pessoas que indagam sobre uma build que favoreça o roleplay, a forma de interpretar determinado talento ou atributo, contudo, as perguntas no estilo “como deixo o meu guerreiro mais apelão” ou “qual a melhor build para causar mais dano em combate” são feitas e repetidas ad eternum, o que já me fez sair, mais de uma vez de grupos que tratam de RPG.

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Não afirmo com isso, que exista um jeito certo de jogar, nem mesmo que não se possa criar histórias focadas em personagens apelões, mas por experiência própria, quando o jogo se torna apenas uma competição desenfreada pelo poder (em números), um livro dos monstros é pouco, muito pouco para saciar a sede de poder dos jogadores e logo, os encontros tornam-se combates extremamente demorados e com tendência ao enfado e frustração.

Também não digo que isso é um efeito perceptível apenas em jogadores novatos, mas noto, principalmente naqueles que se descobriram o RPG depois ou concomitantemente a alguns jogos de cartas, como Pokemon e outros que ganharam popularidade nos anos 2000.

Acredito, portanto, que os elementos estratégicos dos jogos de carta, acabaram introduzindo uma cultura de desejo pelo poder baseada em números, que de certa forma prejudica a criação de grandes histórias que não tenham, nos números, o seu foco para o desenvolvimento dos personagens.

Posso, contudo estar equivocado, mas gostaria de conhecer a opinião de outros aventureiros. Vocês enfrentam estes problemas? Já perceberam? Alguma vez esse desejo pelos números já atrapalhou a condução de alguma campanha/aventura?

Até a próxima.