Mês: agosto 2013

Aparência: do BRP para o D&D

Enquanto não jogo, vou lendo! E enquanto vou lendo, vou me inspirando e a inspiração da vez veio em uma caixa de texto do Basic Roleplaying System (BRP) – sim, ele tem muito a ensinar – que pretendo usar como uma forma de conceder mais personalidade aos personagens de D&D.

O RPG Dungeons & Dragons não tem um atributo aparência, ao contrário do BRP, mas muitos utilizam o Carisma como algo capaz de emular a aparência, embora nem sempre e não necessariamente. Contudo, Carisma em muitas mesas é sinônimo de beleza… ou feiura! Mas que características marcantes tornam um personagem bonito ou feio? Uma cicatriz? Um penteado exótico?
Na caixa de texto Distinctive Features do BRP, de acordo com o valor do atributo Aparência (APP), que varia normalmente entre 3 e 18 (coincidentemente a mesma variação padrão do D&D), o jogador pode escolher um número de características marcantes que fazem com que as pessoas o achem repulsivo ou atraente.
beauty-and-the-beast-2012-beauty-and-the-beast-2012

Quanto mais extrema a sua aparência, no caso aqui vamos usar Carisma, maior o número de características marcantes que o personagem possui, como apresentado na tabela abaixo.

Tabela 2


Um personagem com um baixo valor de Carisma, poderia ter a mesma característica marcante que um personagem com um alto valor de Carisma, e ainda assim surtir efeitos completamente diferentes. Por exemplo, um personagem com baixo Carisma tem uma cicatriz que o deixa mal encarado e sinistro, enquanto que em um personagem com alto Carisma, esta mesma cicatriz poderia lhe conferir um ar de experiência e superioridade.

Os jogadores poderiam escolher características marcantes dentre dez categorias, mas não limitando-se a elas:

  1. Cabelos;
  2. Barba e bigode;
  3. Características faciais;
  4. Expressões;
  5. Vestimentas;
  6. Comportamento;
  7. Fala;
  8. Mãos e braços;
  9. Torso;
  10. Pés e pernas.
Esta foi uma ideia bacana que vi no Basic Roleplaying System, que achei muito interessante e válido o compartilhamento. Se você tem alguma solução caseira ou mesmo que viu em outro sistema e que possa ser usada para D&D, por favor, compartilhe conosco.

A próxima ficha – D&D Next

Eu torço sinceramente pelo sucesso da próxima edição de D&D, afinal, como dizemos por aí, sou um grande fanboy do sistema e embora tenha me decepcionado bastante com muitos elementos da terceira edição, ter me apaixonado pela quarta edição, embora tenhamos tido um relacionamento curto, a nova edição está resgatando elementos que eu sentia falta nas duas últimas edições.
Há alguns meses foi realizado um concurso para determinar qual seria a ficha da nova edição, ainda que provisória e eis que a ficha escolhida tem elementos bem fora do convencional, apresentando troncos de DNA para características raciais e um designe diferenciado para os padrões mais conservadores da Wizards, mas se ela será a versão definitiva ou não, ela já foi distribuída no último pacote do playtest, que será o último pacote de playtest liberado.
Para quem só ficou curioso em relação a ficha, mas não quer baixar o playtest, é só clicar aqui.
Alguns pontos que me fizeram gostar da ficha logo de cara é a possibilidade de realmente todas as informações caber apenas em uma ficha impressa em frente e verso, algo que a quarta edição me deixou bem triste. Alguns personagens possuíam três páginas impressas, frente e verso para registrar seus poderes e habilidades.
A ficha veio em formato editável, o que espero que seja uma tendência, embora eu ainda gostaria de ver uma ficha que eu pudesse editar não somente as entradas, mas o texto em inglês para qualquer idioma que eu desejasse, e isso, vindo de forma oficial.
Como sempre, os maiores “prejudicados” com a ficha são os usuários de magia, que precisam de páginas separadas para anotar os efeitos da magia, isso claro, se não dispuserem de seu grimório impresso, o que me faz pensar em jogar com alguma classe diferente, como guerreiro, por exemplo.
Os espaços parecem bem ajustados e o tamanho do texto se ajusta de acordo com a quantidade de informação registrada, algo importante que eu não tenho verificado em todas as fichas preenchíveis que tenho visto por aí.
Eu particularmente não estava curtindo muito a ficha antiga, primeiro porque dava trabalho editá-la, e segundo porque ela não comportava as informações que aparentemente precisavam estar na ficha.
E por aí? Alguém já testou a nova ficha do D&D Next? Quais as suas opiniões sobre ela?

Mythic Iceland

Publicado em dezembro de 2011 pela Chaosium, o cenário de campanha Mythic Iceland apresenta uma ambientação baseada nas lendas vikings. Embalado pelo maravilhamento que o jogo Skyrim despertou em mim, e após conversar algumas vezes com o autor do Mythic Iceland, Pedro Ziviani, mineiro radicado na Islândia, decidi conhecer um pouco mais do Basic Roleplaying System e do cenário de campanha. Confesso que a minha surpresa foi extremamente positiva.

Capa Mythic


O livro possui 276 páginas de capa a capa e é dividido em 18 capítulos muito bem divididos e com todas as informações relevantes que uma boa ambientação precisa ter, inclusive e, diga-se de passagem, com todos os elementos da ambientação muito bem amarrados com o sistema de regras.

Eu considero que detalhes como a forma de vida e as leis de uma sociedade, incluindo crimes e punições, sejam elementos interessantes e que deveriam estar presentes em todos os cenários de campanha, mas isso não é regra, na verdade, torna-se um diferencial e este diferencial o Mythic Iceland possui.

Criação da Islândia mítica

Nos cinco primeiros capítulos é descrito com a profundidade necessária, mas sem ser cansativo, o dia-a-dia dos habitantes da Islândia mítica, o código de justiça e algo que eu não havia visto em nenhum outro RPG, regras para disputas políticas, que estão muito longe de ser enfadonhas.
Os cinco primeiros capítulos do livro me ganharam e o Pedro Ziviani ganhou um fã de seu trabalho.


Os demais capítulos cobrem aspectos muito interessantes, como a magia da Islândia mítica, a magia rúnica, um sistema que complementa os sistemas já apresentados no BRP e abre muitas possibilidades. Eu fiquei imaginando correlações que eu poderia fazer com o sistema de magia de Skyrim.

Outro aspecto interessante é a relação que todos os personagens possuem com os deuses e que oscilam de acordo com suas ações, garantindo acesso a poderes especiais, em mais uma espetacular forma de utilização para o sistema de alianças que o sistema BRP apresenta e que eu já discuti aqui no ForjaRPG no artigo Usando Tendências Efetivamente.

No capítulo A Traveler’s Guide, o jogador tem uma visão geral das regiões da Islândia mítica e cada localidade apresenta ideias para aventuras, o que ajuda mestres iniciantes a desenvolver suas primeiras aventuras em cada uma das regiões. Para os mestres veteranos, ficam as dicas que podem ser expandidas.

Embarcação viking


A Islândia mítica tem espaço para os elfos, embora eles sejam bem diferentes do que vemos em cenários de fantasia medieval. Naturalmente invisíveis aos olhos humanos, eles aprenderam a usar seus poderes para tornarem-se visíveis e assim contatar os humanos, mas suas relações nem sempre são amistosas.

Os demais capítulos cobrem outras terras, criaturas, uma linha de tempo e informações sobre outros países, armas, armaduras, equipamentos, construções e embarcações vikings, como criar aventuras na Islândia mítica, efeitos do álcool (vikings gostam de beber), criaturas míticas, como o Rei dos Ursos que aparece na capa do livro, um cenário para jogar Mythic Iceland, e dois capítulos dedicados ao cenário Cthulhu Dark Ages, uma mistura natural para quem gosta de acrescentar elementos lovecraftianos em suas campanhas.

O Mythic Iceland é sem dúvida nenhuma o melhor cenário de campanha que eu já li, misturando elementos históricos e mitológicos na medida certa, fornecendo detalhes de uma cultura, dia-a-dia e sistema jurídico sem ser enfadonho. Além disso, o autor consegue a proeza de casar todos os elementos da ambientação com o sistema de regras, algo extremamente difícil de ser visto.

Após ler o livro, só posso dizer que a Prata no Ennies Awards 2013 foi uma conquista merecida, e com certeza teve gosto de Ouro na boca do autor e dos fãs do Mythic Iceland, que eu recomendo a leitura, independente de se você vai jogar ou não no cenário.

Parabéns ao Pedro Ziviani pelo maravilhoso trabalho e que um dia este título possa estar disponível também em português.

Para quem ficou interessado, o livro físico está disponível no site da Chaosium e Amazon (onde fiz a minha compra) e as cópias em pdf podem ser encontradas tanto na Chaosium quanto na DriveThruRPG.