Mês: maio 2012

Dungeon Diablo III

Baseando-me no sucesso de Diablo III e já a alguns meses instigado pelo ainda em produção, mas excelente, Dungeon World, narrei ontem uma aventura para quatro jogadores: Alexsandro (terceira experiência com o Dungeon World) e os novatos Aroldo, Jonas e Jackson.

Durante a tarde, reservei vinte minutos para preencher as fichas dos personagens que estariam disponíveis, decidindo que apenas humanos seriam permitidos. Quando chegaram, os jogadores escolheram os seguintes personagens:

  • Brianne a Guerreira (Jonas);
  • Hadriam o Paladino (Jackson);
  • Charlotte a Barda (Aroldo);
  • Brandon o Ranger (Alexsandro).

Optei por gerar as fichas dos personagens rapidamente e decidi usar a essência dos moves, ou seja, o jogador não precisaria consultar a ficha com frequencia, principalmente porque nenhum dos jogadores sabe sequer o verbo to be.

Então, vamos a ação!

DUNGEON DIABLO III

Os personagens avistam uma estrela caindo na região de Nova Tristram e cada um com sua motivação, decidem partir e investigar. Antes de chegar a cidade ouvem rumores de que os mortos estão caminhando pela região e que a estrela pode ter sido a causa disso.

Juntos, aproximam-se de Nova Tristram e são atacados por zumbis, que rapidamente sobrepujam o grupo em número, forçando-os a correr e procurar abrigo na vila.

Quando chegam a cidade são levados ao capitão da guarda, um homem chamado Ogden que encontra-se na taverna tentando, a todo custo, dissuadir Leah, sobrevivente da queda da estrela e sobrinha de Deckard Cain, a não sair da vila em busca de seu tio, desaparecido ou morto durante a queda da estrela na Catedral.

Assim que entram o grupo é notado e Leah rapidamente se volta para eles na tentativa de ajudá-la, oferecendo 100 moedas de prata pela ajuda. Os aventureiros tentam negociar, mas acabam convencidos que ela não tem mais do que isso a oferecer e que está muito abalada pelo desaparecimento (ou morte) do tio.

O grupo sai do vilarejo em direção a Catedral e conseguem desviar-se dos grupos de mortos-vivos que cercavam o local com a ajuda da águia do ranger, que sobrevoando o descampado os ajuda a chegar em segurança ao destino.

Chegando ao local, Leah desce por uma corda e descobre que existem pelo menos dois níveis abaixo, sobre as quais a Catedral fora construída. Suas esperanças residem em seu tio estar lá em baixo e assim que desce, resolvem explorar o piso imediatamente inferior a Catedral. Caminhando por um corredor eles deparam-se com um pedestal e um imenso livro, que narra a história de Rei Leoric, que mais tarde ficou conhecido como Rei Esqueleto.

Explorando um pouco mais ouvem um pedido de socorro e Leah imediatamente sai em disparada pelos corredores escuros, chegando numa área semi-colapsada onde vê seu tio sendo perseguido por três esqueletos. O Ranger consegue acertar uma pedra na direção dos esqueletos, dando tempo para Deckard Cain afastar-se deles e caminhar em direção a uma porta. Enquanto isso, os demais tentam pular uma fenda no chão, mas somente Leah consegue e vai em direção ao tio, que já abre uma porta e começa a entrar.

Brianna tenta ajudar Charlotte a pular a fenda, mas o piso cede e as duas caem no piso inferior, ferindo-se mas com pouca gravidade. De lá, elas conseguem avistar um grande trono e um imenso esqueleto sentado, ao lado de uma gigantesca maça e uma coroa pendendo de sua cabeça descarnada, com muitas moedas de ouro espalhadas pela sala.

Na parte de cima Leah e Deckard Cain são perseguidos pelos esqueletos e um deles ainda consegue puxar os cabelos de Leah, mas são atingidos por uma terrível onda de choque que os empurra e os destrói, deixando que os dois fujam, enquanto Brandon e Hadrian ajudam ajudam Brianna e Charlotte a subirem, mas já do outro lado da sala e logo em seguida seguem na direção que Deckard Cain e Leah foram.

O grupo segue por uma escadaria e no final deparam-se com Leah e Deckard Cain próximos da cratera da estrela e nela jaz um homem desacordado. Quando o paladino aproxima-se, faz uma oração em busca de saber se aquele indivíduo possui algo maligno, mas a sensação é exatamente a oposta. Brianne pega o homem e coloca-o nas costas bem a tempo de ver que vários esqueletos estão aproximando-se, fazendo mesmo percurso que eles fizeram.

Deckard Cain os leva por uma série de corredores e passagens secretas que levam até o cemitério por trás da Catedral, saindo numa tumba falsa sobre a qual repousa uma pesada tampa de pedra, removida e recolocada no local pelos aventureiros, bem a tempo de impedir a passagem dos esqueletos.

Quando preparam-se para fugir em direção a Nova Tristram, uma figura fantasmagórica surge do chão, materializando-se como o Rei Esqueleto, ou Rei Leoric como já foi chamado um dia.

O Rei Esqueleto não permitiria que os aventureiros saíssem da Catedral com tanta facilidade e desejava transformá-los em seus súditos, na morte é claro!

Atacando os aventureiros, ele conseguiu pouco êxito e foi vencido pelo grupo após vários golpes bem sucedidos dos aventureiros, que levaram com eles a coroa e a maça do rei caído.

CONSIDERAÇÕES

A aventura desenrolou-se num ritmo muito bom, atrapalhado apenas pelo adiantado da hora, o que me forçou a não usar o Rei Esqueleto como eu realmente gostaria de ter usado, fazendo-o levantar vários mortos ao redor e dificultando ainda mais a vida dos aventureiros, mas isso não me frustrou, pois a ideia principal era apresentar o jogo e dar uma palhinha “com muitas adaptações” de Diablo III para os jogadores, coisa que acredito, consegui fazer bem.

O sistema ainda me deixa com algumas dúvidas, mas isso com certeza deve-se ao fato de eu não ter relido as seções que eu mais utilizaria na aventura, devido a minha falta de tempo, mas que é parte essencial para narrar uma aventura bacana.

O ponto forte de Dungeon World continua sendo o fato de você não precisar consultar muita coisa durante a sessão. O que você precisa, os movimentos básicos, ou estão na ficha dos personagens ou estão na ficha de movimentos básicos, simples assim.

Grande abraço e até a próxima.

Magna Expurgate

Vez por outra a mente fervilha com alguma ideia para campanha, ou mesmo uma pequena aventura, e embalado pelos conceitos de Lamentations of the Flame Princess que eu pensei na Magna Expurgate.

Impérios élficos, anões e humanos floresceram lado a lado por muitas eras, mas a religião humana não permitia a existência de outros deuses e uma batalha religiosa de grandes proporções deu-se início e em menos de 100 anos todos os semi-humanos que compartilharam um dia da mesa dos humanos se fora, completamente destruída ou fugida para seus lares nos mundos feéricos.

Os poucos destas raças que conseguiram fugir e esconder-se em locais ermos, tornaram-se extremamente cruéis e passaram a ser vistos por olhos humanos apenas quando assim desejavam.

Uma ordem especial de clérigos foi instituída com o único intuito de encontrar e destruir pela chama purificadora do fogo todas as criaturas feéricas ainda existentes e qualquer um praticante da magia que não viesse diretamente de deus, embora isso fosse muito subjetivo.

Logo, pequenas vilas foram incendiadas com o pretexto de esconder hereges e de estarem maculadas com a presença dessas criaturas. Em pouco tempo todos, em todos os lugares temiam a ira dos Cavaleiros do Fogo Sagrado, os monges da inquisição.

Os Cavaleiros do Fogo Sagrado tornaram-se homens de imenso poder, possuindo vastas bibliotecas tanto de conhecimentos mundanos quanto arcanos e alguns até praticam secretamente as artes que proibiram e que levaram milhares à destruição.

Valerius d’Ávila é sem dúvida nenhuma a mente mais brilhante e perigosa por trás dos Cavaleiros do Fogo Sagrado e por isso mesmo, uma ameaça não somente aos poucos feéricos que ainda existem na terra, mas a toda humanidade.

Em sua busca pelo conhecimento a qualquer custo, deparou-se com um obscuro tomo que descrevia um poderoso encantamento que poderia expurgar de toda a existência, toda a forma feérica e sem exitar ele tentou, conjurando o que mais tarde veio a ser conhecido como a Peste Negra, responsável pela morte de um terço da população mundial na época.

O próprio Valerius d’Ávila não ficou incólume ao poderoso encantamento e transformou-se numa espécie de morto-vivo, cujo único objetivo é destruir tudo aquilo pelo que um dia lutou.

Os jogadores poderiam ser representantes dos poucos indivíduos das raças feéricas que ainda vagam pela terra, humanos simpatizantes dos feéricos ou Cavaleiros do Fogo Sagrado em treinamento que precisam mostrar seu valor aos superiores da ordem e ainda tentar lidar com a ameça de Valerius d’Ávila.

Quando os jogadores não vem

Quer ter menos tempo para preparar uma sessão de jogo? Seja um jogador, nunca o mestre.

Mesmo com a correria do dia-a-dia, se você quer entreter-se com RPG, ou vai ser um dos jogadores ou vai ser o mestre e ser o mestre, putz, não é pra qualquer um, mas não por ser necessário treinamento especial, experiência, saber jogar ou o que valha.

Ser mestre é uma tarefa árdua porque querendo ou não, planejar uma aventura requer leitura, pesquisas e muita inspiração e particularmente me sinto mais frustrado quando os jogadores não comparecem sem dar um aviso, do que quando conseguem sobrepujar facilmente um plano engendrado com todo carinho por mim.

Quando atuo como jogador, se não posso comparecer a sessão eu pelo menos aviso e esperar um comportamento semelhante dos jogadores que compõe sua mesa é o mínimo esperado.

Se liguem jogadores, não precisa levar o RPG a sério, afinal ele é só um hobbie, mas leve a sério o compromisso com o mestre do jogo, assim como ele leva a sério o compromisso que ele tem com vocês.