Mês: outubro 2011

Cinco desejos para a quinta edição de D&D

Rumores sobre uma nova edição de D&D abundam na internet, principalmente após o retorno de Monte Cook a equipe de desenvolvimento da Wizards of the Coast.

Nenhuma das especulações, no entanto, vai influenciar em nossas mesas de jogo (isso para quem está jogando, eu particularmente não jogo a muito tempo) e muitos sequer vão migrar para uma nova edição, pois como acontece a muito tempo, o que achamos “travado” no jogo pode ser facilmente “consertado” com uma regra caseira.

Contudo, se uma nova edição estiver as portas, o que eu gostaria de ver nessa nova edição?

Nem todo futuro incerto é negro, mas todo desejo tem suas consequências.

Melhores monstros solo

Monstros solo são fantásticos e acredito que muita gente gosta deles. Um dos diferenciais da quarta edição foi a diferenciação feita pelo papel do monstro além do nível de desafio. A ideia de que uma única criatura seja capaz de desafiar um grupo é muito interessante, mas a partir do nível 10 eles ficam em grande desvantagem, independente dos pontos de vida que eles tenham, pois eles são um único monstro.

Os designers projetam monstros solo cheios de habilidades que possibilitem que eles sejam um desafio ao grupo de personagens, mas a quantidade de poderes necessários para isso os torna complicados de ser administrados.

Não tenho certeza como a nova edição pode tornar os monstros solo melhores, mas algumas imunidades a determinados efeitos podem ajudar. Um conjunto diferenciado de ações, como três ações padrão, também pode ajudar. Com certeza existem alguns bons monstros solo que podem servir de exemplo na quarta edição.

Embora os monstros solo tenham sido uma grande adição a quarta edição de D&D, espero que eles sejam mais bem explorados em edições futuras.

Exclusão de efeitos de status que roubam ações

Os efeitos mais odiados por mestres e jogadores são aqueles que roubam ações. Atordoar, pasmar e dominar são os piores, embora alguns terrenos e zonas que provocam efeitos de paralisia sejam igualmente terríveis. As pessoas querem jogar quando é seu turno, seja ele o mestre ou os jogadores.

Existem algumas regras caseiras que podem ser adotadas para lidar com os efeitos de atordoar, pasmar e dominar, mas o melhor seria um sistema inteiramente novo que não limitasse o turno do jogador. Sejam quais forem os novos efeitos que vamos ver no novo sistema, esperamos que eles não roubem ações dos jogadores ou do mestre.

Complexidade opcional na criação dos personagens e simplicidade na mesa de jogo

Os jogadores gostam de ter várias opções disponíveis. Eles gostam de customizar um personagem, seja baseando-os em algo que já tem em mente, simplesmente otimizando suas habilidades ou qualquer coisa entre um e outro extremo. Qualquer edição futura de D&D deve ser suficientemente complexo para permitir que os jogadores possam customizá-lo como desejarem e que também permita gerar um personagem rapidamente, caso essa seja a escolha.

Qualquer tipo de personagem feito deve ser rápido de fazer e simples de ser jogado. Um sistema que mova a complexidade para a criação do personagem, mas mantenha as escolhas fáceis e rápidas na mesa resulta em um jogo mais rápido e mais tempo para que os jogadores vejam o que seus personagens podem fazer.

Combates mais rápidos

A longa duração dos combates foi um tópico recorrente nas discussões sobre D&D 4ª Edição. Alguns vêm a duração do combate como uma característica do sistema, não como um defeito, enquanto outros preferem opções para agilizar combates menores. Eu espero ver encontros de 30 minutos que ainda assim sejam desafiadores. Gostaria de ver trinta rounds em uma hora.

É claro que batalhas épicas possuem camadas extras de complexidade, mas mesmo os combates mais simples com cinco monstros podem levar mais de uma hora se o mestre não ficar atingindo os jogadores com tasers para que eles agilizem suas ações.

Atributos baseados em bônus

A muito tempo os atributos eram baseados numa jogada de 3d6 para cada atributo. Mesmo na 1ª edição existiam regras opcionais para modificar isso. Ninguém quer jogar com um mago com Inteligência 6.

Atualmente, o sistema baseado em pontos tornou-se padrão. Ainda assim, fora os bônus de pontos de vida baseados em Constituição, o valor do atributo não influencia em nada. Apenas os bônus importam. Então, se só prestamos atenção nos bônus, por que os valores de atributos?

Isso não é tudo

Aparar algumas arestas da 4ª edição não justifica uma nova edição. Deve existir algumas outras coisas que nos faça ansiar por uma nova edição. A terceira edição trouxe os talentos, enquanto a quarta edição trouxe poderes variando do 1º ao 30º nível. O que a 5ª edição trará para a mesa de jogo que possa ser considerado um avanço? Só o tempo pode dizer.

//Texto Original: Five wishes for 5th edition dungeons and dragons
//Publicado em: Critical Hits em 14 de outubro de 2011
//Autor: Mike Shea
//Tradução e Revisão: Franciolli Araújo

Nota: Para quem leu ou ainda vai ler a versão em inglês do artigo, esta não é uma tradução integral do texto, mas contém as principais ideias.